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O Tourinho também muge

Bom, acho que é hora do Touro deixar de ruminar e botar para fora as suas emoções, sentimentos, impressões ou até medos, mas acima de tudo a alegria pela vinda da Laia que vai ser expressa em algumas palavras compartilhadas com a Vaquinha no nosso blog. Como a ruminação foi longa tentarei ser sucinto nas ideias porque ainda tem muita coisa que vamos passar.

1. O anúncio:

Depois de alguns meses tentando, poucos, a Vaquinha tinha uma consulta com o médico porque a menstruação tinha ficado completamente desregulada e ela já estava muito nervosa fazendo quase um teste de gravidez por mês, e isso me causava certo desconforto porque minha mulher que sempre foi uma pessoa tão segura em muitos aspectos começa a se tornar nervosa, ansiosa e insegura. Nesses momentos entrava em ação o lado equilibrado do Touro, “herencia del abuelo Pepe”, e eu tentava ajudá-la a centrar-se e ficar tranquila porque o momento e ela necessitavam. O posto de saúde está muito próximo ao meu trabalho, e ao sair da consulta ela me ligou pedindo para que eu descesse, achei que seria como outras vezes em que ela vinha dar-me um beijo. Sem desconfiar de absolutamente nada desço e quando abro a porta do prédio vejo que a Vaquinha está muito nervosa e começa a chorar dizendo: “conseguimos, já estou grávida”. Não consegui ter nenhuma reação somente sorri e a abracei. Voltei a trabalhar, bom tentei, porque passei o resto do dia no ar…

2. O pós-anúncio:

Foi muito estranho, mas aquela expressão “cair a ficha” realmente existe e a nossa não caía. Porque foram passando os dias e tudo continuava igual, as conversas, o dia-a-dia, mas na realidade não. Agora vinha um bebê e nós tínhamos conhecimento disso, mas ainda não havia mudado o nosso cotidiano. Muito louco, a ficha não tinha caído para nenhum dos dois. E assim foram passando os dias.

3. Bezerro ou Bezerra:

Eu particularmente não tinha preferência, mas algumas variantes pesam para um lado ou outro, como por exemplo, na minha família meu irmão já tem uma guria e por esse motivo seria muito legal um guri. Na família da Flávia quase todos queriam uma guria, uns com argumentos razoáveis, outros sem nenhum sentido, uns comedidos, outros mais explícitos. Quem não tentou nenhum prognóstico foi meu sogro, penso que ele tinha uma opinião, mas por questões que somente o íntimo de um homem pode explicar, não fez nenhum comentário. Creio que por lógica ele gostaria que fosse um guri ou como se diz em espanhol “le haría mucha ilusión que fuera un niño”.

4. Contos engraçados:

a) Depois de fazer uma pesquisa em algumas lojas buscando carrinhos de bebês, e como bom neto de portugueses o preço para mim era muito relevante, nos decidimos e compramos um. No dia em que fomos buscá-lo, eu enquanto carregava uma caixa de uns 11 quilos disse à Vaquinha:

– É fofinha, agora não tem mais volta!  – E sua resposta foi:

– Já não tem mais volta há três meses!!!!

b) Dizem que a gravidez afeta as mulheres, eis um exemplo: a Vaquinha sempre foi muito ligada, esperta, inteligente, em questões como localizar-se em lugares públicos (shoppings, aeroportos, etc…). Viajamos a Roma no final do ano e ao passar pelo controle de segurança do aeroporto de Barcelona deveríamos ir para a porta de embarque B23 e ela sem duvidar disse:

– É por aqui.

Eu tinha acabado de olhar as indicações e me pareceu que era para o outro lado, mas não retruquei porque ela sempre teve boa orientação. Resumindo: descemos, subimos, voltamos pelo outro lado, quase paramos na imigração, e no momento do desespero dela falei:

– Acho que era por ali… – e era!

É real, a gravidez afeta as mulheres.

5. A Laia antes de nascer já causa polêmica:

A escolha do nome sempre é um momento que pode trazer um pouco de “tensão” para o casal porque cada um tem a sua preferência, as influências ou opiniões dos familiares e amigos também podem contribuir para confundir mais o casal. Havíamos decidido que até saber o sexo do bebê não faríamos nenhuma lista de nomes porque seria perda de tempo, e também para evitar desgastes desnecessários. No momento em que soubemos que seria uma guria começou a polêmica. Brincadeiras e sugestões surgiram, num primeiro momento tudo muito engraçado, mas com o passar dos dias chegaram os palpites e eu concordo que cada um tem o direito de ter opinião e também de emiti-la, mas no meu modo de entender há um limite tênue entre opinar e intrometer-se. Conversando com a Vaquinha nos demos conta de que o nome Laia foi o primeiro que surgiu de forma espontânea e acho que o mesmo já estava escolhido em nossos corações. Laia é um nome curto e forte, e como coloquei no título deste item ela virá para polemizar e mudar a vida de todos nós.

6. Quando a Laia disse “oi”:

Realmente o momento de ver ou sentir o bebê se movendo é muito estranho e louco ao mesmo tempo. Porque tu sabes que a tua filha está na barriga da mãe, mas ela ainda não tem rosto e também não se mexe. A partir de certo dia a Vaquinha começa a fazer comentários que sente algo raro na barriga como cosquinhas, e eu digo:

– É a Laia se mexendo!

Coloco a mão na barriga dela e sinto um leve empurrão. Era a Laia, fico em silêncio tentando entender essa comunicação que é única.

Post escrito com a seguinte trilha sonora: SEAL Acoustic version (Best: 1994 – 2004)

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Habemus bezerrinh@

Siiiimm!!! Agora que completamos o primeiro trimestre já posso botar a boca no trombone e contar que a Vaquinha está prenha! Estamos muito contentes, e em breve começarei a postar as fotos da pancinha, das ecos, etc. Ah, e por supuesto que vou revelar minha identidade secreta, já que não há segredos para ninguém. No post de hoje deixo o relato (sempre longo) de como descobrimos o embarazo:

 

Com um ciclo de 43 dias e outro de 60, eu estava achando meu ciclo completamente bagunçado e decidi ir à ginecologista para ver se estava tudo bem ou se tinha alguma alteração hormonal ou coisa parecida. Ao chegar expliquei o que estava acontecendo e ela me perguntou se achava que estava grávida. Eu disse que não, porque um mês antes quando liguei para pedir a consulta havia feito um teste de farmácia e era negativo. Ela pediu para eu fazer xixi no potinho para descartar a gravidez e começarmos a investigar. A enfermeira (aqui sempre tem uma o tempo todo nas consultas ginecológicas) estava atrás de mim fazendo o teste e mostrou o resultado para a médica, quando ela veio e me perguntou:

– Mas tu queres uma gravidez ou não?

– Sim, estamos tentando.

– Pois já conseguiste, estás grávida!

– Sério???

Aqui entram as primeiras lágrimas que saltaram pela minha cara, junto à uma risada meio nervosa. Como não houve maneira de determinar tempo aproximado de gestação (eu fui exatamente pela falta de regularidade nas menstruações), me pediram uma ecografia para a mesma semana e me deram hora para ir visitar as comadronas, profissionais que fazem o pré-natal e o parto (tipo parteira mesmo).

Saí dali com o meu teste mijado na mão (tá, dentro de uma luvinha de látex) e liguei para o Tourinho, que trabalha ao lado do posto de saúde. Disse para ele descer que eu precisava falar com ele. Quando ele saiu do prédio desatei a chorar de novo, dizendo que já estávamos grávidos, que nem acreditava, e o coitado perguntando “já?”. Tentei explicar mais ou menos correndo porque ele tinha que voltar ao trabalho, mas ele estava tão surpreso que nem se alterou muito, só me dizia para me acalmar e que depois a gente conversava melhor, mas ficou feliz dentro do atordoamento dele.

No mesmo dia conseguimos fazer a eco, não deu pra ver nada além do saco gestacional, e ao final da semana tive a minha consulta com as comadronas, que me deram um livrinho-guia para ir me informando sobre a gravidez.

Duas semanas mais tarde, e segredo debaixo de sete chaves fomos fazer a segunda eco: 8 semanas de gestação e coraçãozinho batucando! Foi a deixa para contar para a family e alguns poucos amigos. Todos muito felizes, claro!

Quase completando as 12 semanas contei no trabalho (a pança já estava muito na vista) e para o casal de amigos mais próximos que temos aqui em Barcelona, e agora que temos a ecografia final do primeiro trimestre na mão já podemos gritar aos 4 ventos: HABEMUS BEZERRINH@!

O primeiro a gente nunca esquece

Dizem que as primeiras vezes ficam para sempre na memória: o beijo, o sutiã, o namorado, a viagem, a escola, o trabalho… Existem milhares de “primeiros” e há uns dias fiz o meu primeiro teste de gravidez. Não sei se vai ficar assim tão guardado, mas sim senti praticamente todos os “sintomas” das primeiras vezes, um misto de ansiedade, otimismo, medo.

Disse para o tourinho que quando entrei na farmácia me senti como se fosse pedir um aumento ao chefe ou falar em público, aquele frio no estômago e respiração acelerada. Ao falar com a farmacêutica eu usei o meu truque: ser engraçada e mega simpática. “Quer o digital ou o normal?”, e eu com uma cara de interrogação, perguntei qual era o mais confiável, já que uma amiga tinha alertado para não comprar um muito barato que pode dar resultados falsos. Segundo ela não tinha diferença e ambos eram confiáveis, simplesmente um tem que interpretar as listrinhas e o outro diz na tela em letras garrafais “(no) embarazada” e de quantas semanas é a gravidez. Comprei o teste for dummies porque já estava meio doida esperando a monstra há uma semana e sem sentir sintoma algum, e lá fui esperar o resto da noite de sábado. O tourinho estava super tranquilo, e eu uma pilha, não consegui nem dormir direito. O problema de usar o primeiro xixi da manhã é que eu levanto no mínimo uma vez todas as noites, assim que combinamos que quando a bexiga me acordasse eu o chamaria para fazer o passeio ao banheiro. E foi assim que pela primeira vez fiz xixi num palitinho, e fiquei sentada ao lado da patente* esperando que um aparato de 13 euros pudesse marcar uma grande diferença nas nossas vidas.

O tourinho me diz: estou vendo umas letrinhas… “no embarazada”. Ah então tá, já sabemos que não é bezerrinho, é só o meu corpo fazendo uma brincadeira sem graça. Vamos voltar a dormir, que é domingo e tenho sono. Fiquei chateada, não me sentia grávida mas também não entendia o que estava acontecendo, é complicado não ter controle nenhum sobre o meu corpo e ter que esperar e esperar.

Depois de 13 dias de atraso veio a monstra, e como prometido fiquei longe do blog umas semanas para desopilar, mudar um pouco o foco e respirar outros ares. Bora seguir tentando, que é a parte mais divertida!

 

*patente = vaso sanitário para o pessoal do sul